"O MODELO DOS MODELOS"
Refletir sobre o modelos dos modelos
de Palomar, remete a reflexão sobre o modelo da nossa educação, onde a sua
avaliação é pautada na quantidade e não na qualidade, quando se verifica os
métodos de ensino ainda hoje em Voga, onde a homogeneidade é priorizada, na
qual a diferença ainda é vista por muitos como um entrave e não como algo para refletir, aprender, é visto
como um obstáculo intransponível, mais um esforço extra sem objetivo palpável
e, não como mais um desafio a ser superado e engrandecido com a conquista de
avanços e superações de todos alunos, em particular, os alunos público alvo da
educação especial. Ao olhar esse aluno, muitos o professores não enxergam, nem
procuram identificar suas potencialidades, apenas visualizam mais um trabalho a
ser somado aos que já tem com os alunos sem deficiência, imagine pensar que
esses necessitarão de uma TA (Tecnologia Assistiva) ou adequação de material
para que possam evoluir como todos os alunos na aquisição do conhecimento? Sempre
as mesmas alegações de estarem presos a programas, conteúdos e tempos
pré-determinados à cumprir durante o ano letivo e, também pelo fato mencionado
por muitos estudiosos e por BATISTA E MANTOAN (2007, p. 15): “O medo da diferença e do desconhecido é responsável,
em grande parte, pela discriminação sofrida pelas pessoas com deficiência (…)”.
Por isso, voltando a Palomar, após
tudo descrito acima, vê-se ínviável vislumbrar um modelo único para todos, pois
assim fazendo, estamos dizendo que todos os seres são, pensam, agem, tem as mesmas
dificuldades e potencialidades, o que sabe-se que não é verdade. Por muito
tempo a sociedade forjou a aceitação da diferença em seu meio camuflada na
integração, desse modo, segundo FÁVERO (2004, p. 38) apud CASTILHO, : “(…) admite a existência de desigualdades
sociais e, para reduzi-las permite a incorporação de pessoas que
consigam “adaptar-se”, por méritos exclusivamente seus”. E, assim, a escola
procedeu por muito tempo, acolhendo aqueles que conseguissem essa adaptação aos
seus moldes.
Porém sabe-se que todos
os seres são diferentes, nas suas características e peculiaridades, um único
modelo, em primeiro lugar, não respeitaria a individualidade do ser. Almejando
um ensino de qualidade para todos os alunos numa perspectiva inclusiva, que
estudiosos discutir sobre o assunto e o público alvo da educação especial continua
sua luta em busca dos seus direitos em todos os âmbitos da sociedade,
traduzindo-se na educação com a inclusão, do seguinte modo, de acordo com FÁVERO (2004, p. 38) apud CASTILHO: “(…) “deixar de excluir”, que (…) Pressupõe que
todos fazem parte de uma mesma comunidade e não de grupos distintos.
Assim, para “deixar de excluir” a inclusão exige que o Poder Público e a
sociedade em geral ofereçam as condições necessárias para todos”.
Muitas escolas por muito tempo, devido a Começam a matricular os alunos público
alvo da educação especial, apenas para cumprir lei, sem dar as condições
necessárias para esse alunado progredir em todas as etapas da educação.
Atualmente,
estamos começando a vislumbrar escolas com práticas realmente inclusivas,
porque Segundo ROPOLI (2010, p. 9) “A escola comum se torna inclusiva
quando reconhece as diferenças dos alunos diante do processo educativo e busca
a participação e o progresso de todos, adotando novas práticas pedagógicas”,
tendo o AEE como colaborador direto para que essas práticas aconteçam,
principalmente porque o objetivo deste é:
“(…) propiciar
condições e liberdade para que o aluno com deficiência mental possa construir a
sua inteligência, dentro do quadro de recursos intelectuais que lhe é
disponível, tornando-se agente capaz de produzir significado/conhecimento.” (BATISTA
e MANTOAN, 2007, p.25)
Relacionando o trabalho realizado no AEE, ao discutido
no modelos dos modelos de Palomar, acredito que toda análise realizada para o
atendimento dos alunos público alvo da educação especial, em todas suas etapas,
não generalizando em função de uma mesma deficiência, considerando e enxergando
cada ser como único, desde a identificação da natureza do problema até o plano
do AEE, construindo possibilidades de desenvolvimento dos alunos público alvo
da educação, sanando e/ou minimizando suas dificuldades e, principalmente, ressaltando
suas potencialidades, para chegar aos objetivos pretendidos do plano e, após
sua aplicação, desconstruindo o plano a cada avaliação a partir dos seus
avanços ou de antigas e/ou novas dificuldades, reconstruindo assim, no intuito
de obtenção de novos resultados positivos em prol do seu desenvolvimento
pessoal e intelectual diante da sociedade.
Sendo assim, refletindo a partir do exposto por
Palomar em o modelos dos modelos, entende-se que um modelo pode ser usado de
guia, porém não acabado e, sim, em constante construção e reconstrução de
acordo com as características, dificuldades e potencialidades de cada aluno,
almejando seu constante desenvolvimento.
REFERÊNCIA:
CASTILHO, Ela
Wiecko V. de. O Papel da Escola para a Educação Inclusiva.
Disponível: http://www.google.com.br/search?client=safari&rls=en&q=http://pfdc.pg.mpf.mp.br/temas-de-atuacao/atuacao-e-conteudos-de-apoio/publicacoes/pessoa-com-deficiencia/papel-escola-educacao-inclusiva&ie=UTF-8&oe=UTF-8&gfe_rd=cr&ei=dJitU___G4jBgATJ2oDwBw.
Acesso em 11/05/2013.
BATISTA, Abranches Mota Batista.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér.
Atendimento Educacional Especializado em deficiência Mental. São Paulo:
MEC/SEESP; 2007 p. 82
CALVINO, Ítalo. “O modelo dos modelos”. Curso de formação continuada de professores para o AEE. 1aS AEE metodologia da pesquisa. UFC/SECADI/UAB/MEC.Versão 2013.
CALVINO, Ítalo. “O modelo dos modelos”. Curso de formação continuada de professores para o AEE. 1aS AEE metodologia da pesquisa. UFC/SECADI/UAB/MEC.Versão 2013.
GOMES, Adriana L. Lima et al. A Educação Especial na Perspectiva
da Inclusão Escolar: o atendimento educacional especializado para alunos com
deficiência intelectual. Brasília: MEC/SEE/UFC, 2010
ROPOLI, Edilene Aparecida. A
Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: a escola comum
inclusiva/Edilene Aparecida Ropoli [et.al.] - Brasília: Ministério da Educação,
Secretaria de Educação Especial ; [Fortaleza] : Universidade Federal do Ceará,
2010.
Como você bem mencionou no seu texto, integrar não é incluir. Não é o aluno com deficiência que deve se adaptar a escola, mas a escola que deve buscar as metodologias adequadas para cada aluno. Desse modo, nosso papel como professora de AEE é de fundamental importância. Parabéns pelo seu texto.
ResponderExcluirGostei da maneira que você discorreu sobre o texto e o AEE, essa priorização da homogeneidade que ainda encharca a educação, o olhar acerca das diferenças como problema, como obstáculo, sem valorizar as possibilidades, as potencialidades dos alunos e você resume com a citação: “O medo da diferença e do desconhecido é responsável, em grande parte, pela discriminação sofrida pelas pessoas com deficiência (…)”. BATISTA E MANTOAN (2007, p. 15).
ResponderExcluirParabéns!