domingo, 29 de junho de 2014

REFLETINDO COM ÍTALO CALVINO



"O MODELO DOS MODELOS"


Refletir sobre o modelos dos modelos de Palomar, remete a reflexão sobre o modelo da nossa educação, onde a sua avaliação é pautada na quantidade e não na qualidade, quando se verifica os métodos de ensino ainda hoje em Voga, onde a homogeneidade é priorizada, na qual a diferença ainda é vista por muitos como um entrave e não como  algo para refletir, aprender, é visto como um obstáculo intransponível, mais um esforço extra sem objetivo palpável e, não como mais um desafio a ser superado e engrandecido com a conquista de avanços e superações de todos alunos, em particular, os alunos público alvo da educação especial. Ao olhar esse aluno, muitos o professores não enxergam, nem procuram identificar suas potencialidades, apenas visualizam mais um trabalho a ser somado aos que já tem com os alunos sem deficiência, imagine pensar que esses necessitarão de uma TA (Tecnologia Assistiva) ou adequação de material para que possam evoluir como todos os alunos na aquisição do conhecimento? Sempre as mesmas alegações de estarem presos a programas, conteúdos e tempos pré-determinados à cumprir durante o ano letivo e, também pelo fato mencionado por muitos estudiosos e por BATISTA E MANTOAN (2007, p. 15): “O medo da diferença e do desconhecido é responsável, em grande parte, pela discriminação sofrida pelas pessoas com deficiência (…)”.
Por isso, voltando a Palomar, após tudo descrito acima, vê-se ínviável vislumbrar um modelo único para todos, pois assim fazendo, estamos dizendo que todos os seres são, pensam, agem, tem as mesmas dificuldades e potencialidades, o que sabe-se que não é verdade. Por muito tempo a sociedade forjou a aceitação da diferença em seu meio camuflada na integração, desse modo, segundo FÁVERO (2004, p. 38) apud CASTILHO, : “(…) admite a existência de desigualdades sociais e, para reduzi-las permite a incorporação de pessoas que consigam “adaptar-se”, por méritos exclusivamente seus”. E, assim, a escola procedeu por muito tempo, acolhendo aqueles que conseguissem essa adaptação aos seus moldes.
Porém sabe-se que todos os seres são diferentes, nas suas características e peculiaridades, um único modelo, em primeiro lugar, não respeitaria a individualidade do ser. Almejando um ensino de qualidade para todos os alunos numa perspectiva inclusiva, que estudiosos discutir sobre o assunto e o público alvo da educação especial continua sua luta em busca dos seus direitos em todos os âmbitos da sociedade, traduzindo-se na educação com a inclusão, do seguinte modo, de acordo com FÁVERO (2004, p. 38) apud CASTILHO: “(…) “deixar de excluir”, que (…) Pressupõe que todos fazem parte de uma mesma comunidade e não de grupos distintos. Assim, para “deixar de excluir” a inclusão exige que o Poder Público e a sociedade em geral ofereçam as condições necessárias para todos”. Muitas escolas por muito tempo, devido a Começam a matricular os alunos público alvo da educação especial, apenas para cumprir lei, sem dar as condições necessárias para esse alunado progredir em todas as etapas da educação.
 Atualmente, estamos começando a vislumbrar escolas com práticas realmente inclusivas, porque Segundo ROPOLI (2010, p. 9) “A escola comum se torna inclusiva quando reconhece as diferenças dos alunos diante do processo educativo e busca a participação e o progresso de todos, adotando novas práticas pedagógicas”, tendo o AEE como colaborador direto para que essas práticas aconteçam, principalmente porque o objetivo deste é:

“(…) propiciar condições e liberdade para que o aluno com deficiência mental possa construir a sua inteligência, dentro do quadro de recursos intelectuais que lhe é disponível, tornando-se agente capaz de produzir significado/conhecimento.” (BATISTA e MANTOAN, 2007, p.25)

Relacionando o trabalho realizado no AEE, ao discutido no modelos dos modelos de Palomar, acredito que toda análise realizada para o atendimento dos alunos público alvo da educação especial, em todas suas etapas, não generalizando em função de uma mesma deficiência, considerando e enxergando cada ser como único, desde a identificação da natureza do problema até o plano do AEE, construindo possibilidades de desenvolvimento dos alunos público alvo da educação, sanando e/ou minimizando suas dificuldades e, principalmente, ressaltando suas potencialidades, para chegar aos objetivos pretendidos do plano e, após sua aplicação, desconstruindo o plano a cada avaliação a partir dos seus avanços ou de antigas e/ou novas dificuldades, reconstruindo assim, no intuito de obtenção de novos resultados positivos em prol do seu desenvolvimento pessoal e intelectual diante da sociedade.
Sendo assim, refletindo a partir do exposto por Palomar em o modelos dos modelos, entende-se que um modelo pode ser usado de guia, porém não acabado e, sim, em constante construção e reconstrução de acordo com as características, dificuldades e potencialidades de cada aluno, almejando seu constante desenvolvimento. 


REFERÊNCIA:

BATISTA, Abranches Mota Batista. MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Atendimento Educacional Especializado em deficiência Mental. São Paulo: MEC/SEESP; 2007 p. 82

CALVINO, Ítalo. “O modelo dos modelos”. Curso de formação continuada de professores para o AEE. 1aS AEE metodologia da pesquisa. UFC/SECADI/UAB/MEC.Versão 2013.

GOMES, Adriana L. Lima et al. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: o atendimento educacional especializado para alunos com deficiência intelectual. Brasília: MEC/SEE/UFC, 2010

ROPOLI, Edilene Aparecida. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: a escola comum inclusiva/Edilene Aparecida Ropoli [et.al.] - Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial ; [Fortaleza] : Universidade Federal do Ceará, 2010.

sábado, 7 de junho de 2014

RECURSOS E ESTRATÉGIAS EM BAIXA TECNOLOGIA PARA APOIO AO ALUNO COM TGD EM SEU DESENVOLVIMENTO


RECURSOS E ESTRATÉGIAS EM BAIXA TECNOLOGIA DE APOIO AO ALUNO COM TGD/TEA EM SEU DESENVOLVIMENTO


Um Pouco sobre o Autismo 


[...] o autismo é uma síndrome intrigante porque desafia nossoconhecimento sobre a natureza humana. Compreender o autismo é abrir caminhos para o entendimento de nosso próprio desenvolvimento. Estudar autismo é ter nas mãos um “laboratório natural” de onde se vislumbra o impacto da privação das relações recíprocas desde cedo na vida. Conviver com o autismo é abdicar de uma só forma de ver o mundo [...]. É pensar de formas múltiplas e alternativas sem, contudo, perder o compromisso com a ciência (e a consciência!) [...]. É percorrer caminhos nem sempre equipados com um mapa nas mãos, é falar e ouvir uma outra linguagem, é criar oportunidades de troca e espaço para nossos saberes e ignorância. (BOSA, 2002, BEZ, 2014, p. 04)


1. Título: Trabalhando com Atividade de Vida Diária (AVD) e Habilidades Motoras


Um Pouco sobre a Idéia da Confecção do Material para a Atividade e de socializar as etapas de sua prática


Certa vez a mãe foi levar o aluno com autismo na Sala de recursos ao adentrar na mesma, percebi que o aluno estava com o cadarço desamarrado e o alertei, mas ele apenas riu e sua mãe abaixou-se para amarrá-lo, perguntei o porquê dela ter feito aquilo e a mesma falou que o filho não sabia fazê-lo. Aí entendi essa citação de BOSSA (2002) acima, que eu já havia lido em outra oportunidade, principalmente a parte do  "(...) ter nas mãos um 'laboratório natural' (...)". Pesquisei, confeccionei e coloquei em prática e graças a Deus obtivemos êxito (Eu na explicação e demonstração e o aluno na execução).


2. Público Alvo:

Ano: 7º Ensino Fundamental
Transtorno: CID 10 F 84 - Autismo
Idade: 17 anos

3. Local de utilização: AEE

4. Recurso utilizado:


Fonte: Arquivo da Professora Gleide Soares Leandro


























5. Descrição da atividade:


*Tipo de Atividade: Aprender a amarrar os sapatos;

*Objetivo da Atividade:   Desenvolver a coordenação motora fina usando a técnica de Amarrar Cadarço;

*O que trabalha esta atividades de vida diária: habilidade bimanual, alinhavo, percepção visual, noção espacial e sequenciação;

*Materiais Utilizados para confecção: Cartolina (2 cores), cadarço colorido (amarelo), papelão, tesoura e grapeador.

*Atividade propriamente dita:

1º Passo: O aluno irá aprender a colocar o cadarço, passando o mesmo em cada orifício do sapato


2º Passo: Aprenderá fazer a primeira laçada, juntando as duas pontas, cruzando as mesmas.


 
3º Passo: Em seguida ainda segurando as pontas do cadarço fará em cada um o formato de uma orelha de Coelho



4º Passo:  Por fim, repetirá o mesmo procedimento inicial, agora com as orelhas de “coelho”, finalizando a amarração.


5º Passo:  Correlacionar com o material concreto, o aluno repetirá todas as etapas anteriores utilizando seu próprio sapato.




Fonte: http://www.google.com.br/search?q=atividades+da+vida+diária+-+amarrar+sapato&client=safari&rls=en&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=qnuSU7HfC5W0sASU24DoAg&ved=0CCYQsAQ&biw=1149&bih=597


6. intervenções do professor do AEE

O professor irá explicar e demonstrar todas as etapas da atividade e depois correlacionar com o material concreto (sapato do aluno).



Referência:

ARASAAC - Portal Aragones de Comunicação Alternativa e Ampliada. http://www.catedu.es/arasaac/ [acesso em 27/04/2014]

BERSCH, Rita. RECURSOS PEDAGÓGICOS ACESSÍVEIS. Tecnologia Assistiva (TA) e Processo de Avaliação nas escolas. Disponível: www.assistiva.com.br/Introducao_Tecnologia_Assistiva.pdf. [acesso 01/06/2014]



BEZ, Maria Rosangela. Transtorno do Espectro Autista – In: Sistema de comunicação alternativa para processos de inclusão em autismo: uma proposta integrada de desenvolvimento em contextos para aplicações móveis e web. Tese (Doutorado em Informática na Educação) – UFRGS – Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação. Porto Alegre, 2014 (09 páginas). 


PELOSI, Miryan. Tecnologia Assistiva – Miryam Pelosi. http://www.comunicacaoalternativa.com.br/[acesso em 27/04/2014]


domingo, 20 de abril de 2014

INFORMATIVO: DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA (DMU) X SURDOCEGUEIRA


DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA (DMU) X SURDOCEGUEIRA


As pessoas com essas deficiências como as com as demais deficiências, sofreram e ainda sofrem discriminações em todos os âmbitos sociais. A DMU e a Surdocegueira apresentam características e peculiares que ora se diferenciam e ora se assemelham.
De acordo com os avanços educacionais e estudos de autores sério, estas características e peculiaridades, são estudadas, citadas e organizadas, de modo a facilitar o trabalho com essas pessoas, principalmente dentro do âmbito escolar.
Começaremos com MC INNES (1999) apud BOSCO (2010), esclarecendo, que a Surdocegueira, ao contrário do que se pensa,  “(…) é uma deficiência única que requer uma abordagem específica para favorecer a pessoa com surdocegueira e um sistema para dar este suporte”. Já a DMU, essa sim, segundo o MEC/SEESP (2002) apud BOSCO (2010): “(…) têm mais de uma deficiência associada (…) revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social.”
De acordo, com as formas pelas quais, as informações são captadas pelos alunos, MAIA (2011) nos diz, que O Surdocego precisa fazer uso dos canais sensoriais como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e vestibular para terem acesso as informações a sua volta. E a pessoa com DMU terá o apoio de um dos canais distantes (visão e ou audição) como ponto de referência.
No Âmbito escolar para as pessoas com DM, em relação ao posicionamento de acordo com BOSCO (2010) é indispensável uma boa adequação postural. Trata-se de colocar o aluno (…) de maneira confortável em sala de aula para que possa fazer uso de gestos ou movimentos com os quais tenham a intenção de comunicar-se e desfrutar das atividades propostas.
Para o aluno Surdocego como para todos os alunos é necessário repensar a organização espacial da escola e da sala de aula: mobiliário dos alunos, sinalização em diferentes linguagens, construção de rampas, banheiros acessíveis, sinalização e alargamento de corredores, dentre outros.
Segundo IKONOMIDIS (2010) MOTIVAÇÃO é a chave da comunicação para as pessoas com DMU, focando em atividades funcionais e significativas para o aluno. E, para o SURDOCEGO, conforme ALVAREZ (1991) apud SERPA (2002) O TATO é sua conexão com o mundo e necessita do mesmo, para estabelecer comunicação e obter conhecimentos e aprendizagem.
De acordo com BOSCO (2010), é de importante ímpar para ambas as pessoas tanto com DMU, como com SURDOCEGUEIRA, FAVORECER e/ou DESENVOLVER: Às pessoas que não apresentam graves problemas motores, aprendizagem do uso das duas mão; O esquema corporal é de extrema importância; Recursos para a aquisição da linguagem estruturada no registro simbólico, tanto verbal quanto em outros registros, como o gestual, por exemplo; Constante interação com o meio ambiente; O máximo de contraste possível entre os materiais que lê e o ambiente, para ambos que tem baixa visão; Os serviços de: guia-intérprete e de instrutor-mediador, para guiar, interpretar e mediar a comunicação, bem como, monitores para apoiá-los em atividades extras salas.
Em se tratando, de algumas estratégias para a comunicação, temos para o Surdocego, que Necessita: De pistas e/ou objetos de referência de antecipação de atividades; Estimular a pessoa para se comunicar e explorar o ambiente; Confirmar se ela está interpretando as informações e a todo o momento comunicar o que ocorre no ambiente. 
Para a pessoa com DMU é Necessário: organizar o mundo da pessoa por meio do estabelecimento de rotinas claras e uma comunicação adequada; Desenvolver atividades de maneira multisensorial para garantir aproveitamento de todos os sentidos e que sejam atividades que proporcionem uma aprendizagem significativa com oportunidades de generalizar para outros ambientes e pessoas (atividade funcional); de um ambiente reativo, isto é, que responda a suas iniciativas. Seu tempo de resposta deve ser respeitado e a habilidades de fazer escolhas deve estar dentro de suas atividades programadas. 
Ainda, conforme o Folheto FACT 3 – COMMUNICATION/Primavera 2005: ambos usam comunicação não simbólica (...) pais ou responsáveis são as primeiras pessoas a dar significado a certas vocalizações e movimentos corporais de bebês ou crianças pequenas.
No entanto, tudo descrito acima, nada terá validade, caso a individualidade dessas pessoas não sejam respeitadas e, sua essência humana valorizada como princípio primeiro.


REFERÊNCIAS:


Folheto FACT 3 – COMMUNICATION / Primavera 2005 - Lousiana Department of Education 1.877.453.2721 State Board of Elementary and Secondary Education.

KOMONIDIS, Vula Maria. Apostila sobre Deficiência Mútipla. 2010. Sem publicar.
MAIA, Shirley Rodrigues de . Aspectos importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. São Paulo, 2011.

ROWLAND, Charity; SCHWEIGERT, Philip. Solições Tangíveis para indivíduos com Deficiência Múltipla e ou Surdocegueira. Apostila In mimeo. Tradução Acess. Revisão Shirley R. Maia, 2013.

SERPA, Ximena Fonegra. Comunicação para pessoas com Surdocegueira. Tradução do livro Comunicacion para Person Sordociegas, INSOR – Colômbia, 2002.nsorial, 2010.

terça-feira, 18 de março de 2014

EDUCAÇÃO ESCOLAR DAS PESSOAS COM SURDEZ



Educação Escolar de Pessoas com Surdez – Atendimento Educacional Especializado em construção.

(Mirlene Ferreira Damázio e Josimário de Paula Ferreira)
 
Resumo

A trajetória da educação das pessoas com surdez (PS), foi marcada por: discriminação, consideradas incapazes de adquirir conhecimento e gerir suas vidas e, embates, acerca da melhor língua para educá-las, Por vezes, os oralistas dominaram em detrimento dos gestualistas, embates vistos por defensores do bilinguismo, prejudiciais ao desenvolvimento cognitivo das PS, por esquecer destas e focar na língua em si, sendo assim, a abordagem bilíngue é mais indicada.
Mais adiante, nota-se avanços nas políticas educacionais com o Decreto 5.626/05 que regulamenta a lei de Libras, preconizando uma escola pautada numa educação inclusiva, defendendo a abordagem bilíngue,

“(…) com outros contornos: a LIBRAS e a Língua Portuguesa, em suas variantes de uso padrão, ensinadas no âmbito escolar, devem ser tomadas em seus componentes históricocultural, textual, interacional e pragmático, além de seus aspectos formais, envolvendo a fonologia, morfologia, sintaxe, léxico e semântica. (DAMÁZIO, 2005, p. 4)


Propiciando assim, ambientes educacionais que garantam o desenvolvimento cognitivo das PS. Constatou-se no entanto, outra problemática, encontrar escolas que tenham todo esse aparato necessário para suprir as necessidades desse alunado, principalmente recursos humanos, no tocante, a qualificação dos professores para recebê-los e auxiliá-los a alcançar o desenvolvimento cognitivo necessário para avançar todas as etapas exigidas no âmbito escolar e social, tornando-os pessoas autônomas e críticas, pois DAMÁZIO (2005, p. 6) acredita que: “(...) se lhes forem criados ambientes propícios para desenvolverem o seu potencial, as marcas do déficit, da falta, da falha e da deficiência serão secundarizadas e será exaltado o seu potencial humano.”
Acreditando ser a abordagem bilíngüe mais indicada, DAMÁZIO (2005) defende a proposta de *três momentos* para Atendimento Educacional Especializado (AEE) para o ensino da pessoa com surdez (PS) na escola comum- O Momento do AEE: *em LIBRAS*, *de LIBRAS* e *para o ensino da Língua Portuguesa* para a educação das PS. O planejamento realizado em conjunto pelos professores específicos em cada momento citado acima, visto que os conteúdos a serem trabalhados são semelhantes. No primeiro momento,*em LIBRAS*, são trabalhados os conteúdos de sala de aula em Libras, antecipando conceitos, ministrado por instrutor e/ou professor formado, preferencialmente surdo. No segundo momento, *de LIBRAS*, trabalhando os termos técnicos e o desenvolvimento dos mesmos, tendo como principal objetivo, o aprendizado da Língua de Sinais, o responsável por esse momento, deve ter formação igual a do primeiro e, No terceiro momento, *para o ensino da Língua Portuguesa*, tendo professor graduado na área de atuação, tem o objetivo do aprendizado da Língua Portuguesa e suas especificidades. 
Para tanto, defende-se a necessidade da escola sofrer uma real mudança nas suas práticas pedagógicas, que insiste em focar nas limitações e não nas potencialidades dos alunos como sugere a educação inclusiva, notadamente se este for com surdez, bem como, mudar olhar desta em relação ao fracasso escolar dos mesmos, ressaltando que este fracasso tem mais possibilidade de ser gerado por práticas pedagógicas inadequadas dos professores do que pelas limitações das PS, porque se pensarmos o contrário, teremos que responder urgentemente a questão: qual seria então o motivo pelo qual, os alunos que estão dentro de um certo padrão considerado de normalidade apresentar altas taxas de reprovação?


REFERÊNCIA:

DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Descrição e Audiodescrição


No site www.audiodescricao.com.br, encontramos vários filmes em AD – Audiodescrição, inclusive esta entrevista com Graciela Pozzobon no Programa do Jô:

 Nessa entrevista Graciela Pozzobon fala da Audiodescrição como sendo:

"O recurso que possibilita a inclusão de pessoas cegas como expectadores de filmes, novelas, teatros, óperas, qualquer manifestação artística (...) funciona como uma banda extra de áudio, que descreve o que estamos vendo, que as pessoas cegas não estão vendo (...) tudo que acontece nos silêncios (...) todas as informações que não estão nos diálogos, nem nas informações sonoras (...) tudo que é importante que a pessoa saiba para compreender a obra (...)”.

Neste vídeo abaixo intitulado "Incuráveis", também no mesmo site audiodescrito por Graciela Pozzobon podemos confirmar sua fala e notar como seria complicado ou quase impossível de ser entendido por uma pessoa cega se, como ela diz: “tudo que acontece nos silêncios” não fosse descrito.



Através dessa entrevista, percebe-se a importância desse recurso como mais um meio de inserção das pessoas cegas na sociedade, inclusive na esfera cultural.
Reportando o benefício da audiodescrição para a escola, no tocante ensino-aprendizagem de pessoas cegas, acredito que o professor poderá inserir este recurso no seu planejamento, que além de enriquecer sua aula, promoverá a inclusão, a partir do momento, que estará minimizando a dificuldade dos alunos cegos no entendimento de conteúdos expostos em slides e vídeos, por exemplo, mesmo que ambos contenham áudio, caso seus conteúdos (figuras, fotos, desenhos e etc) não sejam narrados, detalhes passarão despercebidos e farão falta no entendimento final do que foi exposto pelo professor naquele momento.
E, penso, como não seria interessante numa aula prática no laboratório de química, onde o professor descreveria o que ocorre numa determinada reação?
Há um leque de possibilidades, nas quais esse recurso pode ser explorado pelo professor, no intuito de romper com mais algumas barreiras, que afastam as pessoas cegas do conhecimento.